quarta-feira, 22 de abril de 2015

Projeto Lumiar - Fundação Ralston-Semler

Depois de uma conversa muito interessante com um colega da minha empresa, fiquei sabendo de um tal empresário que havia sido premiado por sua forma inovadora de gestão. Aos 25 anos, contrariando os padrões da época (anos 80), iniciou em sua empresa uma gestão democrática... legal, mas o que isso tem a ver com educação?!

Bom, meu colega continuou o assunto e disse que esse tal empresário também iniciou um projeto voltado a educação, com um modelo parecido ao que aplicava ao gerir seus negócios.

Depois de pesquisar, encontrei o site do Projeto Lumiar, desenvolvido pela Fundação Ralston-Semler. Seu fundador, Ricardo Semler, é o tal empresário que citei a pouco.

Fiquei muito feliz ao saber que a idéia do projeto dele é fundamentalmente focada no ensino público brasileiro, e que inclusive, tem muitos traços parecidos com a minha visão para o Ensino Social.

Sugiro que você conheça mais sobre o Projeto Lumiar e se possível divulgue para que o projeto cresça e mais pessoas possam ser atingidas por ele.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Golden Circle (Cículo Dourado) - Como aprender?

Sou muito interessado em idéias de empreendedorismo, pois não consigo ver aprendizado maior do que viver aquilo que estudamos... Isso nos dá o propósito para aprendermos cada vez mais o mundo ao nosso redor. Se unirmos isso com assuntos que temos mais predileção, o que na linguagem terráquea significa: "fazer o que se gosta" - então, muito provavelmente, alcançaremos resultados valiosos em nossos estudos.

Mas qual a relação disso com o título: Golden Circle?

Não sei se você conhece este conceito, que hoje é muito utilizado por empreendedores para a criação de novos projetos, produtos, serviços, etc. O princípio fundamental é encontrar sentido no que se faz, antes de procurar encaixar uma idéia dentro do contexto mercadológico como lucratividade, escalabilidade, etc. Ou seja, ao invés de tentarmos fazer algo focado em seu potencial financeiro, devemos focar em algo que tenha um fundamento, um porquê de sua existência.

A pergunta fundamental a se fazer é: Porque? Qual sua real motivação? O que te faz querer aprender mais? Porque você precisa conhecer mais?

Esse tipo de questionamento nos leva a refletir melhor sobre o significado e a significância das coisas que fazemos em nosso dia a dia (não apenas centrado no estudo). Claro que esse é um tipo de pensamento que não é fácil de se ter, já que exige uma profundidade maior de auto conhecimento e de crítica em relação à si próprio. Sendo assim, esse tipo de visão não pode ser considerada no caso de crianças que ainda necessitam da orientação de pais e mestres para guiá-los até um caminho de conhecimento e saber, para somente quando chegar a sua maturidade psico-sociológica, poder desfrutar desse entendimento revelador/libertador.

Quando jovem eu sempre me questionava a respeito da real motivação dos estudos e muitas vezes me deparava com a visão de que: "algumas matérias não faziam sentido para mim e/ou para aquilo que eu desejava ser" (pelo menos naquele momento). Porém, um pouco mais a frente, percebi que o estudo me permitia ver o mundo de diferentes ângulos, sejam eles de uma visão mais mecanicista e exata, como a matemática, física e química, ou mais humanas como a geopolítica, filosofia, história, etc. Ambos os sentidos me levavam a um novo patamar, e que a partir dai pude desfrutar de novos questionamentos... aliás, o que é a vida senão uma sessão infinita de dúvidas (muitas vezes sem uma resposta).

É interessante perceber que as influências ao meu redor, que viriam a me motivar a gostar realmente de estudar, assim como gosto hoje, não foram diretas, nem impostas, seja pela família, escola, etc. Eu percebi essa necessidade e esse desejo de melhorar e de conquistar cada vez mais conhecimento, para me autoafirmar, me valorizar como ser humano. Tenho um lema: dessa vida só levamos nosso conhecimento. Acredito na vida eterna, no Céu, e acredito que lá seremos aquilo que construímos aqui. Esse é um dos pilares da minha motivação de conhecer cada vez mais. Talvez cada um deva encontrar o seu sentido para estudar, para se inspirar a saber cada dia mais. Pode ser para impressionar alguém, para se sentir melhor em seu meio social, para ganhar bem no emprego, ou conquistar algum cargo acadêmico.... sei lá. O importante é não desistir de procurar o seu WHY!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O que a escola deveria aprender antes de ensinar

É lindo ver que temos pessoas com uma visão crítica e tão profunda sobre a problemática do ensino, não apenas o público, mas numa visão mais ampla e complexa.

No vídeo, Viviane Mosé,  poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas, faz um discurso e análise sobre as questões fundamentais do ensino e sobre a escola.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dica de Filme: Como Estrelas na Terra



TAARE ZAMEEN PAR: COMO ESTRELAS NA TERRA

A Resenha fica por conta de Darlene Godoy de Oliveira, Psicóloga, Mestre e Doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento e professora dos cursos de Pós Graduação em Psicopedagogia na Universidade Mackenzie e no Centro Universitário UNIFIEO

O filme retrata a história de Ishaan Awasthi, um garoto indiano de 8 anos de idade que sofre diante das letras, livros e cadernos. Consequentemente, recorre com intensa frequência a seu mundo imaginativo repleto de pipas, peixes e desenhos. Suas dificuldades são percebidas pelos professores e pais como decorrentes de pouca dedicação e empenho e, diante da gravidade dos problemas e em parte como um castigo, os pais de Ishaan colocam-no num colégio interno. Lá, as dificuldades de aprendizagem agravam-se ainda mais e o garoto começa a desenvolver um quadro depressivo importante que é ignorado. 


O panorama da situação muda quando um jovem professor de Artes chega ao colégio e passa a se preocupar com Ishaan acompanhando-o de perto. Coincidentemente, este professor é disléxico e aos poucos percebe que os tipos de erros de leitura e escrita apresentados pelo garoto indicam que ele também pode ter o transtorno. Paralelamente a isso, o professor consegue incentivar o talento nato de Ishaan para desenhar e ao final do filme, ele é reconhecido por todos do colégio como um excelente artista.

Não pretendo discorrer sobre este filme segundo alguma teoria psicológica específica, mas refletir sobre o impacto que a existência da Dislexia pode atingir nas dimensões cognitiva, comportamental, familiar, escolar e macro social. Além disso, gostaria de assinalar brevemente as principais evidências neurobiológicas da Dislexia, que tem sido pesquisada há mais de um século em diversos países do mundo.

Ishaan, apesar de frequentar regularmente a escola e ser acompanhado pelos pais em casa, não é capaz de decodificar letras em sons com precisão, falha ao escrever espelhando letras e as percebe em movimento quando tenta ler. O último sintoma é relatado na literatura científica como stress visual e é presente em parte dos casos de Dislexia. Além disso, a leitura das crianças disléxicas tende a ser lenta e penosa devido a erros de inversões de letras e sílabas, confusões auditivas, confusões de letras por similaridade visual, omissões e acréscimos de letras, sílabas ou sons.

Por apresentar tais déficits cognitivos, Ishaan passa a perceber as tarefas acadêmicas como aversivas e desenvolve constantemente estratégias de fuga e esquiva das mesmas. Recorre ao mundo imaginativo, dispersa-se facilmente na escola e esconde dos pais o boletim escolar. Quando é colocado num colégio interno e percebe-se privado do contato familiar, torna-se apático e triste. Pesquisas4 apontam que crianças e adolescentes disléxicos tendem a apresentar maior susceptibilidade a desenvolver depressão e transtornos de comportamento. São muito comuns os comportamentos de fuga e esquiva diante das situações de aprendizagem formal, uma vez que nelas há constatação das limitações e o fracasso para a leitura.
A família de Ishaan, de início, não sabe como lidar com o problema. Por falta de informações sobre a existência da Dislexia, bem como pela ausência de acompanhamento e orientação escolar adequados, interpretam as dificuldades escolares apresentadas pelo garoto como decorrentes de preguiça e falta de interesse. Fazem uso de disciplina rígida com castigos físicos e ofensas. Enquanto a mãe tende a ser mais afetiva, o pai parece não perceber que Ishaan sofre com suas dificuldades e que seus comportamentos opositores refletem a necessidade de que haja um olhar mais compreensivo para sua situação. No nível macro social, nota-se uma grande preocupação principalmente por parte do pai em relação ao sucesso profissional na fase adulta. Este é um homem de negócios que valoriza a conquista pelo primeiro lugar, o mérito individual e a competitividade. Por outro lado, Ishaan apresenta grandes habilidades para desenhos e artes, sendo esta uma carreira pouco convencional para os padrões do pai. Portanto, numa sociedade que se propõe inclusiva, os valores e concepções de sucesso precisam ser repensados considerando as potencialidades e limitações que todas as pessoas apresentam.


O ambiente escolar no qual Ishaan está inserido é conservador e autoritário, tanto no primeiro como no segundo colégio. Em uma das cenas iniciais em sala de aula, a professora lhe solicita fazer leitura em voz alta. Ao simular o comportamento de ler emitindo sons não compreensíveis sem hipóteses de correspondência letra-som Ishaan torna-se alvo de chacota para os colegas e de ofensa para a professora, pois é desta maneira que ela interpreta sua atitude. Em nenhum momento do filme os professores e a equipe pedagógica questionam a eficácia de seus métodos de ensino e se estes são os mais adequados para Ishaan, uma vez que ele falha sistematicamente em ler e escrever. A tendência adotada foi a de culpabilizar o garoto por suas dificuldades. Atualmente, diversos países no mundo têm questionado e modificado seus métodos de ensino e de alfabetização considerando a existência da Dislexia. Com tais adaptações, diante do transtorno tais crianças não são mais culpabilizadas. Pelo contrário, o reconhecimento implica no auxílio pedagógico para a promoção da autonomia escolar.

Apontando agora para os principais achados científicos da Dislexia do Desenvolvimento, este é um transtorno de aprendizagem no qual o fator que mais chama a atenção é a discrepância entre a existência de boas condições ambientais e emocionais para aprendizagem, bom nível intelectual e ausência de déficits sensoriais ou neurológicos que, por sua vez, contrastam com rendimento de leitura pobre e lentificada, notado nos domínios de acurácia, fluência e compreensão. O caráter neurobiológico e constitucional da Dislexia é confirmado por achados recorrentes de estudos que apontam padrões de herdabilidade de Dislexia em famílias; padrões diferenciados de ativação cerebral observados com registro de neuroimagem, como hipoativação do lobo cerebral esquerdo em tarefas linguísticas; e, por fim, diferenças no processamento auditivo, visual e no padrão de movimentos oculares.

A fim de abarcar todas as dimensões da aprendizagem, o diagnóstico deve ser feito em contexto multidisciplinar por profissionais da saúde (fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo, oftalmologista, neurologista infantil). As características clínicas da Dislexia, os métodos de avaliação, bem como a construção e eficácia de programas interventivos cognitivos, educacionais e psicossociais para o tratamento do transtorno tem sido debatidas em países diversos e já estão inseridas nas políticas públicas em educação em forma de decretos e resoluções nos E.U.A., Reino Unido e Ilhas Canárias. No Brasil, tramita na Câmara dos Deputados o PL 7081/2010, que dispõe sobre o diagnóstico e o tratamento da Dislexia e do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade na educação básica, de autoria do Senador Gerson Camata - PMDB/ES.

Enquanto profissionais da Psicopedagogia, área de intersecção entre a saúde e a educação, temos o dever ético e profissional de auxiliar na promoção da aprendizagem através da condução de diagnóstico e tratamentos adequados das crianças, adolescentes e adultos disléxicos. Uma vez que a Dislexia é presente em países com sistemas linguísticos diversos e sua existência independe do nível sócio-econômico, devemos avançar nas discussões das políticas públicas que favoreçam a autonomia destas pessoas.


Assista ao filme completo aqui:

Link para download do filme:

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Aluno: Ame o que você faz!


Muitas vezes, as dificuldades que temos na vida escolar estão diretamente relacionadas ao grau de determinação, comprometimento e amor que empregamos na execução de nossas atividades. O estranho é que essas dificuldades se apresentam constantemente nos alunos e isso chama a atenção.

É fundamental saber o que nos leva a não querer estudar, ou a não gostar de estudar. Acho que todos concordam que quando ganhamos algo, deve haver naturalmente, um sentido de felicidade e realização, certo?! Caso esse sentimento não surja, geralmente buscamos entender o motivo e corrigi-lo. É fato que, quando estudamos ganhamos conhecimento, novas habilidades entre outras coisas. Então, por qual motivo algumas pessoas não se sentem felizes por isso? Em grande parte por não verem ou sentirem o que ganharam.

Um dado importante, sempre destacado como uma das principais reclamações dos estudantes, ou até em pessoas que já concluíram os estudos, é a de ter que estudar coisas que não veem sentido, utilidade ou necessidade em suas vidas. De fato, eu lembro de ter que aprender coisas em meus tempos de colégio que nunca mais utilizei (por exemplo, a fórmula de Bhaskara), mas de certa forma, consigo ver o valor delas para o meu crescimento e sei que estas mesmas devem ser muito úteis para profissionais de determinadas áreas. Nem todos consegue enxergar ou se aproveitar disso, o que é bem normal, comum e recorrente.

Não precisa ser nenhum especialista no assunto para saber quais matérias os alunos tem mais aversão e quais eles mais se identificam ou gostam. Caso queira, faça uma simples enquete com seus alunos ou filhos e logo descobrirá. Em geral, matérias mais técnicas como química, física e matemática fazem parte do hall das mais odiadas nas pesquisas de opinião (estou apenas levando em conta algumas buscas simples que fiz no Google). É óbvio que essas matérias são necessárias, mas também possuem no currículo conteúdos bem pouco usuais ou com díficil comprovação de sua aplicabilidade.

Creio que grande parte dos problemas da perda de interesse ou repúdia dessas matérias está relacionado a ausência de programas que busquem exemplificar o uso desses conteúdos, ou até de usos pouco atrativos. Sei que há tantas formas saudáveis, divertidas e até mesmo empolgantes de ensinarmos, e com o uso de novas técnicas e tecnologias podemos criar novas formas e métodos para todo e qualquer tema.

Se mantivermos um modelo antiquado, milenar (perjorativamente) e chato, vamos continuar vendo as crianças e jovens muito mais interessados em acessar sites de bobagens, piadas, entre outros conteúdos, muito mais animados, e chamativos do que em aulas e no aprendizado.

É imprescindível cativarmos nossos alunos, buscarmos despertar neles o desejo e amor pela sabedoria e conhecimento, para que eles possam levar este espírito como parte fundamental de suas personalidades durante a vida adulta.




quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A educação nos dias da tecnologia


Versão legendada em português de um vídeo no qual CEO de diversas empresas falam das exigências atuais postas à escola, na tarefa de formar cidadãos no Século XXI. A necessidade de incorporar as tecnologias digitais é destacada.


Como as redes sociais podem contribuir com a educação do século XXI? No vídeo, quem fala sobre o assunto é Américo Amorim, presidente da Daccord, empresa especializada em plataformas educacionais que desenvolveu o game Saiba Mais Enem. A apresentação aconteceu durante a terceira edição da Série de Diálogos O Futuro se Aprende sobre Tecnologias na Educação, que aconteceu no dia 10 de setembro de 2012. O encontro foi promovido por Inspirare, Porvir e Fundação Telefônica e reuniu cerca de 60 representantes de diversos setores da sociedade para discutir as oportunidades e desafios do uso da tecnologia na educação.


A tecnologia é algo que faz parte da realidade do homem. Através dela nós chegamos onde chegamos. Devemos saber extrair o melhor de toda essa tecnologia, toda essa realidade de socialização, compartilhamento e acesso a informação que a Internet e os mecanismos tecnológicos nos proporcionam.

Pensem nisso!

Redes Sociais para Educação

Edmodohttps://www.edmodo.com/?language=pt-br
Triahttp://www.redetria.com.br

terça-feira, 25 de junho de 2013

Música + Artes + Aprendizado


Traduzi um texto muito interessante (ou tentei traduzir) do Washington Post, que fala sobre estudos atuais sobre a influência da música no aprendizado da leitura e de certa forma na matemática. Trata de três assuntos que gosto demais: música, artes e educação. Então não podia deixar passar, e creio que muitos educadores poderão usar isso como ferramenta em suas aulas. Segue abaixo:

Por anos, educadores de artes tentam dizer aos reformadores escolares, obcecados com leitura e matemática, que as artes podem ensinar habilidades valiosas e que estas criam formas de pensar que muito úteis os acadêmicos. 
O cientista cognitivo, Daniel Willingham, escreveu um estudo que mostra a relação entre a formação musical e a leitura. Willingham é professor e diretor de estudos de pós-graduação em psicologia da Universidade de Virgínia e autor do livro "Por que os alunos não gostam da escola?" Seu livro mais recente é "Quando você pode confiar em Experts? Como dizer boa ciência ou má na educação." (“When Can You Trust The Experts? How to tell good science from bad in education.”) O texto está em seu blog de Ciência e Educação.
Por Daniel Willingham
Por vezes, ouvimos sobre a inclusão da música no currículo acadêmico, justificada pela alegação de que ela melhora na matemática ou a leitura.
Eu nunca me importei com esta justificativa, porque acho que os alunos devem estudar música para seu próprio bem, independente se esta estimula ou não outras habilidades. E me parece um argumento arriscado, pois se houver um artigo que diga que a música não ajuda em outro trabalho acadêmico, significa que ela deveria ser desprezada?
Definindo isso como argumento, certamente traz grande interesse do ponto de vista cognitivo, saber se o treinamento musical tem um impacto sobre a leitura ou na matemática. Há um bom número de estudos correlacionais que mostram um efeito positivo, mas poucos dados experimentais.
Agora, um novo estudo experimental (Rautenberg, no prelo), mostra que a formação musical tem algum efeito positivo para a leitura.

Neste estudo participaram 159 alunos alemães do primeiro ano do ensino fundamental (first grader). A formação musical durou oito meses e focou em três áreas: treinamento de habilidades rítmicas, tonais / treinamento de habilidades melódica e discriminação auditiva de timbre e intensidade do som. Havia dois grupos de controle: um recebeu nenhum treinamento. O outro era um controle ativo recebendo treinamento em artes.

Os resultados foram bastante robustos, como apresenta o gráfico de precisão de leitura de palavras únicas no início e no final do exercício.


O que está por trás deste benefício? A linguagem tem um aspecto musical atrelado a ela, conhecido como prosódia. E, de fato, a capacidade das crianças apreciarem o aspecto rítmico da fala está relacionada com a facilidade com que elas aprendem a ler, mesmo quando se controla a consciência fonêmica. Em alemão (e, em Inglês), algumas combinações de letras apresentam similaridades em certos padrões de estresse, para que haja um sinal na língua escrita que as crianças possam aprender. A idéia é que as crianças são menos propensas em aprender a associação de determinados padrões de letras escritas e os seus ritmos correspondentes no discurso se elas não percebem muito bem os ritmos da fala.

Esse é o argumento. Análises mais refinadas dos dados apoiam parcialmente isto.

O argumento importante é o que prevê ritmo e não tonalidade, e os dados mostram correlações significativas de leitura com capacidade no primeiro, mas não no segundo.

O argumento prevê ainda que a formação deve reduzir um determinado tipo de erro: aquele em que uma criança lê os sons fonéticos corretamente, mas se estiver em ritmo errado, ela segmentará a palavra em sílabas de maneira incorreta, ou acentuará a sílaba errada. Essas resoluções não foram previstas.

Em suma, este estudo parece ser uma adição importante, embora certamente não seja a última, no argumento de que alguns tipos de treinamento musical auxiliam as crianças no aprendizado da leitura, pelo menos em certas línguas.

Referência
Rautenberg, I. (in press). The effects of musical training on the decoding skills of German-speaking primary school children. Journal of Research in Reading.

Texto do blog do cientista Daniel Willingham
http://www.danielwillingham.com/daniel-willingham-science-and-education-blog.html
Artigo na íntegra (Inglês)
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jrir.12010/full

Curso de Inglês Online Gratuito


Pra mim é novidade (até porque é mesmo... foi lançado esse ano), acabei de conhecer um curso online de inglês gratuito, oferecido para os alunos das escolas da rede estadual (ensino médio e EJA - Educação de Jovens e Adultos) pela Secretaria da Educação. Segue um vídeo de divulgação do programa:


É uma iniciativa muito interessante para incluir alunos que não teriam condições de realizar um curso como esse nas instituições privadas. A idéia do vídeo é bem interessante, mas acho que eles poderiam investir melhor na divulgação pois sei que muitos alunos sonham em falar uma língua estrangeira.

Não conheço muito do curso mas espero que eles consigam um nível de interatividade bacana... a proposta da gamificação é fundamental em se tratando de cursos online e focado em um público jovem.

Só um detalhe, pelo que vi as vagas são limitadas!

Desejo sucesso aos idealizadores e aos interessados muita dedicação! Segue o link abaixo:

http://www.educacao.sp.gov.br/evesp/cursos/NovaExibicao/Home.aspx

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Porque não gosto de estudar?

Eu confesso: Já odiei estudar, algumas vezes na vida (evasão do público extremista do blog).



Legal, agora que os chatos já foram embora podemos falar de seres humanos reais pra seres humanos normais...

Nem sempre estudar é legal, mesmo para um aluno CDF, acredite se quiser. Isso porque as pessoas tem predileção por certas coisas (conteúdos, matérias, professores, etc.) e acham as outras um porre.

Mas como não deixar que essa raiva tome conta de todos os nossos momentos de aprendizagem? Como evitar que ambientes ruins, mestres ineficientes, ou mesmo que nossos colegas nos tirem o comprometimento em expandir o conhecimento e nossas mentes?

Um grande professor me ensinou: "As pessoas nascem motivadas, o ambiente e as pessoas ao seu redor é que vão aos poucos trazendo desmotivação". Então, se é assim, como não ser desmotivado ou não desmotivar? Talvez essa não seja a pergunta correta. O correto é: como resistir e superar os elementos que buscam constantemente me desmotivar. É preciso encontrar algo fundamental para tudo o que iremos fazer: uma motivação, um sentido.

Não adianta dizer pro aluno: Você tem que estudar, porque é importante pro seu futuro; porque é o que todo mundo faz; Porque senão você não vai ser alguém na vida! Em alguns casos pode até funcionar, mas deixa um vazio, algo que ao longo do caminho pode ser perdido e lá na frente, quando a pessoa estiver sozinha, com um emprego que a sustente, e a vida encaminhada, provavelmente, continuará não gostando de estudar, pois o estudo já cumpriu o seu propósito e ela não precisa mais se preocupar com isso. Além disso, pra muitas idades - como os pequeninos - esse tipo de posicionamento não faz o menor sentido. Aliás, muitas vezes abordamos o ensino de maneira muito mais interessante com eles do que com os adolescentes. Sentamos para ler um livro com nossos pequenos de maneira muito mais fácil, mostrando figuras, ensinando letras, cores, formas, com um trato muito mais eficiente. Porque perder isso com o tempo?

O real valor do ensino está no fato de que aprendemos para saber lidar com a vida de maneira mais eficiente e realizadora. Desde bebês o que nos motiva a aprender é o prazer, a satisfação na realização de algo que nos parece essencial, fundamental para a nossa vida! Quando bebês apreendemos pela curiosidade, pela experimentação do novo, pelo simples prazer de sentir e enfrentar uma nova realidade. Outro fator fundamental que nos influencia a evoluir com tamanha rapidez do engatinhar ao correr é o fato de não termos medo de errar, não estarmos preocupados com o que irão falar se falharmos (mas sobre o medo falarei em outro artigo, se eu me lembrar).

O que importa aqui é: motivação => motivo + ação. Saber o que você quer é um princípio, mas é necessário agir para chegar nesse motivo, ou objetivo. Portanto, se você quiser ser o melhor aluno da sala, por exemplo, terá de agir como tal, estudar como tal. Mas se o que você quer é apenas se formar, agirá como tal - aliás, muitos seguem essa segunda linha, que é bem mais fácil, mas que traz consequências bem menos agradáveis no futuro!

Portanto, aos estudantes digo: descubram suas motivações e as sigam, as executem. E aos professores: motivem-se e motivem seus alunos, e sei que isso é inato em vocês... então, se ainda não estão tendo o resultado esperado: despertem isso agora!